Publicado em: Mídia Sem Máscara, Respuestas Políticas Relato inédito sobre Gustavo Cisneros Resumo: Cisneros nunca foi equilibrado, nem imparcial, nem democrata; ele está do lado de quem o beneficie economicamente e, para alcançar seus objetivos, é capaz de destruir quem quer que seja, utilizando qualquer meio, legítimo ou não. © 2006 MidiaSemMascara.org Na quarta-feira à noite, em uma alocução televisiva, o dono da Venevisión, Gustavo Cisneros, tentou – sem sucesso – resgatar sua imagem severamente golpeada por seu apoio ao regime de Chávez. Cisneros argumentou que Venevisión não devia intervir na política, mas manter uma posição “imparcial e equilibrada”, dando cobertura a todos os pontos de vista. Porém, desde junho de 2004, data em que Cisneros chegou a um acordo com Chávez, pela mediação de Jimmy Carter, Venevisión não divulga a realidade, e diariamente a encobre grosseira e descaradamente para favorecer o Regime. Este comportamento foi evidenciado durante o fechamento da RCTV, ao ponto de muitos telespectadores acusaram Cisneros, através das redes de Internet, de ser cúmplice e principal beneficiário do fechamento. São tantas as críticas e as acusações contra ele que Cisneros se viu obrigado a sair publicamente para se defender. Considero este momento propício para relatar uma experiência pessoal – até agora inédita – que mostrará quem é Cisneros e porquê ele apóia Chavez. O relato começa em Caracas, em fevereiro de 1985, quando um comando armado da DISIP invadiu meu escritório, nessa ocasião localizado no 10º andar do Edifício Nuevo Centro (Chacao). Horas depois me encontrava em um calabouço escuro, perguntando-me que misterioso crime eu teria cometido, que merecia esse enorme desdobramento policial. À medida que foram passando as horas e os dias, soube pelos meios de comunicação que meu “delito” havia sido colaborar na distribuição de um livro intitulado “Narcotráfico S.A”, que mencionava Gustavo Cisneros. Não houve explicação, não houve acusação formal, não houve julgamento. O procurador do caso, Gregorio Gandica, era irmão da juíza que ordenou a invasão, Ana Luisa Gandica, que paralelamente trabalhava em uma empresa de Cisneros. Posteriormente, o livro foi proibido. Porém, o mais impresionante foi a campanha maciça de difamação que Venevisión iniciou contra mim. El Informador me acusou durante dias, através de extras e no noticiário principal, de ser o diretor de uma “seita que tentou matar o Papa João Paulo II na Venezuela”, Tradição, Família e Propriedade (TFP). De um destacado desportista e exitoso engenheiro, graduado pela USB, que havia decidido nesse mesmo ano incursionar na política, me converti em poucas horas, por obra da Venevisión, em um terrorista internacional, assassino de Papas e chefe da TFP. Em poucos dias, fui chamado pelo Diretor de Política do Ministério de Relações Interiores, que ameaçou me matar, se eu não abandonasse minha atividade política. Desconcertado, porém aborrecido, não fiz caso da ameaça. Meses depois, um magistrado da Corte Suprema de Justiça de nome Carlos Bardasano, me contatou para propor-me um substancioso “acordo” com Cisneros, se eu suavisasse minha linha política. Paralelamente, Cisneros deu ordens à sua banca de confiança para investigar cada detalhe de minha vida privada. Ao não conseguir nenhum irregularidade que servisse para me chantagear, e dado que a ameaça e o suborno haviam fracassado, Cisneros tentou outra estratégia, baseada na calúnia e no veto. Edgardo de Castro, da Organização Cisneros, dedicou-se a enviar dossiês a todas as forças vivas do país (funcionários governamentais, Forças Armadas, Igreja, governadores, meios de comunicação, grêmios, etc.), onde se diziam as coisas mais horrendas sobre Peña Esclusa, sem apresentar prova alguma: nazista, anti-semita, ultra-direitista, terrorista, a suposta militância na TFP e, certamente, o atentado – que nunca existiu – contra o Papa João Paulo II. Além disso, Cisneros ordenou um rigoroso veto contra mim, extensivo aos principais meios de comunicação nacionais, veto que – incrivelmente – prevalece até a data em muitos meios de comunicação. Quando Chávez chegou ao poder, não teve que inventar nada: recolheu às calúnias inventadas por Cisneros, amplificando-as ao máximo e acrescentou o de “fascista” e “agente da CIA”. Quer dizer, as calúnias de Cisneros serviram aos interesses do castro-comunismo, ao impedir-me de realizar um trabalho mais fetivo contra Chávez. Como se pode deduzir, Cisneros nunca foi equilibrado, nem imparcial, nem democrata; ele está do lado de quem o beneficie economicamente e, para alcançar seus objetivos, é capaz de destruir quem quer que seja, utilizando qualquer meio, legítimo ou não. Agora tenta, mais uma vez, saltar o obstáculo, quando vê que Chávez despenca e, junto com ele, o próprio Cisneros. Não escrevo este relato para ir à forra, aproveitando que Cisneros está desprestigiado, posto que não lhe guardo rancor. Paradoxalmente, enfrentar o poder, quando ainda era um jovem inexperiente, serviu para fortalecer meu compromisso com o país, com a liberdade e com a justiça, sem esperar nada em troca, nem subordinar-me a nenhum grupo que pretenda comprar-me ou ameaçar-me, inclusive Chávez. Escrevo, em primeiro lugar, para desmascarar o principal empresário aliado de Chávez; e em segundo lugar, porque esclarecer a verdade me ajudará a ser mais útil ao país, na difícil conjuntura que se avizinha. Tradução: Graça Salgueiro |