Publicado em: Mídia Sem Máscara, El Salvador

Chávez está tecnicamente caído
por Alejandro Peña Esclusa em 06 de julho de 2007

Resumo: Uma vez que o regime venezuelano domina todos os poderes públicos, controla o sistema eleitoral e comete fraude, não existe nenhuma outra solução à crise além da desobediência generalizada, a qual está contemplada no Artigo 350 da Constituição.

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Caracas – Um descontentamento crescente e generalizado se apodera da sociedade venezulelana. Não se localiza em um setor ou grêmio em particular mas em todos eles; não existe só em Caracas mas em todas as cidades; não é dirigido mas sim espontâneo. Agora somam-se os estudantes e os que rechaçam o fechamento do canal RCTV.

As esperanças que Chávez suscitou em 1998, desapareceram. As promessas converteram-se em fracassos e mentiras. Com mais de oito anos no poder – e o triplo das receitas de seus antecessores – não resolveu os problemas de pobreza, insegurança e corrupção; ao contrário, as piorou. Em lugar de proporcionar emprego e desenvolvimento, oferece divisão e guerra.

Chávez já não se atreve a aparecer em atos públicos, a menos que a assistência esteja controlada ou comprada. Ele tem medo da traição de seus colaboradores que se mantêm a seu lado só pelo poder e pelo dinheiro que lhes outorga. A pouca popularidade que lhe resta encontra-se fora da Venezuela, porque dentro já não existe.

Mantém-se no poder na base da repressão, das ameaças, da compra de consciências, do fechamento de meios de comunicação e, sobretudo, da fraude eleitoral. Em poucas palavras, Chávez está tecnicamente arruinado, do mesmo modo que esteve Hitler em 1944, muito antes que acabasse a guerra.

Porém, como ocorreu na Alemanha, existe um longo e doloroso percurso entre a queda técnica e a queda real, porque a obsessão de manter-se no poder eternamente e a todo custo, leva-o a cometer atropelos e a exercer a violência. Contudo, o final é inevitável.

Resta ainda resolver uma assunto que é este: apesar das numerosas experiências de governos que caíram sem grandes traumas por protestos de rua – Color de Mello, De la Rúa, Fujimori, Bucaram, Lucio Gutiérrez, Sánchez de Lozada, Raúl Cubas, etc. – ainda prevalece um tabu mundial a respeito de saídas não-eleitorais. Se considera “politicamente incorreto” – ou inclusive “golpista” – falar abertamente de mudanças de governo através de ações pacíficas de desobediência civil.

No caso venezuelano, uma vez que o regime domina todos os poderes públicos, controla o sistema eleitoral e comete fraude, não existe nenhuma outra solução à crise que a desobediência generalizada, a qual – além disso – está contemplada no Artigo 350 da Constituição.

“Quem convocará a desobediência?” – poderia se perguntar o leitor. Pois o próprio Hugo Chávez que, ao impor um modelo totalitário pela força, provocará, como já está ocorrendo, uma reação incontrolável!

Aceita – dentro e fora do país – a crua realidade da saída não-eleitoral, então só resta preencher o vazio político, deixado pelos partidos que desapareceram, por participar de eleições fraudulentas e reconhecer os falsos resultados.

O vazio será preenchido por uma nova classe política, conformada por dirigentes da sociedade, essa que tem resistido com valentia ao modelo totalitário.

Afortunadamente, cinqüenta anos de bonança petroleira facilitaram o surgimento de uma geração de profissionais altamente capacitados, cujos filhos estão agora lutando nas ruas.

Fonte: http://www.elsalvador.com/mwedh/nota/nota_opinion.asp?idCat=4324&idArt=1502289

Tradução: Graça Salgueiro